Forjado no Invisível: o que me atravessa também me transforma.

Começo a escrever este texto me sentindo triste, por conta de um pequeno desentendimento com a Thays, mas com a esperança de que, ao organizar meus pensamentos e sentimentos, eu possa finalizá-lo em um estado de espírito diferente — mais positivo.

Essa é a minha vontade — e pretendo fazê-la prevalecer. Estou cansado dos “talvezes”: de tantas incertezas, inseguranças e dessa paralisia que, vez ou outra, me atravessa.


As músicas que escolhi para acompanhar este processo de escrita são do Reiki — uma playlist do Spotify com sons que evocam calma e equilíbrio.


Ainda assim, apesar dessa escolha e da serenidade que ela desperta, reconheço que possuo recursos internos suficientes para lidar com o que se passa em mim a qualquer momento, sem depender dela. Ou seja, essa playlist não é necessária — apenas conveniente.


O silêncio já seria suficiente.


Faço esse exercício de forma consciente — quase como quem se observa para não transformar o alívio em fuga.





 

Há mais de um ano, venho observando, pensando, agindo, refletindo, investigando, procurando sinais… é assim que tenho conduzido a minha vida.


Existe em mim um sentimento constante de que a vida tem tentado me ensinar: a dialogar com ela, a ser quem eu sou, a fazer escolhas mais assertivas — e, principalmente, a sustentá-las.


A ser quem eu nasci para ser.


E a procurar a Verdade.


O peso é constante, mas não estou parado.


Tenho buscado orientação, suporte emocional e algum tipo de cura na gnose, na filosofia e nas conversas frequentes com amigos, com minha mãe e com a própria Thays.



No momento atual, estou sendo iniciado na segunda Câmara da Gnose de Samael — ou, talvez mais honestamente, esteja me iniciando nela.


Tenho consciência de que novas provações relacionadas aos elementos tendem a surgir — não como algo extraordinário, mas como desdobramentos naturais da vida que venho levando.


Essas provações parecem se manifestar como a contraparte desses elementos:


No ar, para desenvolver estabilidade mental e discernimento — mantendo clareza mesmo quando tudo “venta” dentro da mente.

Os desafios se apresentam como dúvida constante (“será que estou no caminho certo?”), mudanças bruscas de direção, ansiedade, excesso de pensamentos, confusão e a influência de vozes externas que, por vezes, abafam a minha própria.


Na água, para cultivar equilíbrio emocional e pureza de intenção — evitando afogar-me nas minhas próprias emoções.

Surgem o apego excessivo (a pessoas, relações e expectativas), os ciúmes, a carência, a dependência emocional, as oscilações de humor e prazeres que, de forma sutil, me afastam daquilo que digo buscar.


No fogo, para aprender a direcionar minha energia e fortalecer a vontade — sem permitir que ela se torne destrutiva.

Os desafios aparecem na forma de impulsos difíceis de conter, irritação, reatividade, orgulho ferido, necessidade de afirmação e, principalmente, na forma como lido com a minha energia vital: se a disperso, se a reprimo ou se consigo, de fato, transformá-la em algo consciente.


Na terra, para construir constância, disciplina e enraizamento — permanecendo firme mesmo quando o caminho exige esforço e paciência.

As provações se revelam nas dificuldades concretas, nas limitações materiais, na lentidão dos processos, na tentação da inércia, no apego ao conforto e na dificuldade de sustentar, no dia a dia, aquilo que compreendo nos momentos de maior clareza.



Ao descrever tudo isso, percebo algo importante: essas provações não estão no futuro — elas já estão acontecendo.


E, às vezes, tenho a impressão de que todas “decidiram acontecer” ao mesmo tempo.


Sei que isso não corresponde exatamente à realidade, mas a mente tende a reunir tudo em um único peso indistinto — e, com isso, intensifica a sensação de sobrecarga.


Por isso, o exercício aqui é outro: lançar luz sobre cada uma dessas adversidades, separá-las, compreendê-las e ressignificá-las — permitindo que se tornem, pouco a pouco, exatamente aquilo de que preciso para seguir adiante no dharma.


O primeiro passo é reconhecer que elas existem, que estão em mim e, a partir disso, enfrentá-las de forma objetiva.



Assim como estou concluindo meus processos na primeira Câmara da Gnose, também encerro a primeira etapa do curso “Filosofia para Viver”, da Nova Acrópole.


Ao longo do curso, tive contato com diferentes tradições e ensinamentos que, de formas diversas, apontam para um mesmo centro: a necessidade de autoconhecimento, domínio de si e ação consciente no mundo.


Entre reflexões sobre ética, leis da natureza, a guerra interior descrita no Bhagavad-Gita, o domínio da mente nos ensinamentos tibetanos, a compreensão da dor no budismo, a responsabilidade social em Confúcio, a busca da verdade em Platão, a virtude em Aristóteles e a serenidade dos estoicos, começo a perceber que todos esses caminhos convergem para uma mesma exigência: viver com mais consciência, coerência e responsabilidade.


Reconhecendo em mim não apenas alguém que atravessa a vida, mas alguém chamado a participar dela de forma ativa e transformadora.



Dentro desse processo que venho vivendo — de busca, aprendizado e enfrentamento dessas provações internas — percebo que, em alguns momentos, acabo atribuindo um caráter simbólico às experiências que atravesso, como se elas marcassem passagens importantes do meu próprio caminho.


É interessante notar isso.


Assim como associei esse movimento a uma espécie de iniciação ao vinculá-lo à trilha ecológica que fiz com o Rafael durante a despedida de solteiro dele, desta vez também me vejo sacralizando este momento de conclusão a partir do encontro que tivemos neste final de semana.


Celebramos o aniversário da Fernanda (que será no dia 15 de abril) e dos outros arianos que estiveram na nova sede da Brigadeiro Luís Antônio, próxima ao Parque Ibirapuera — incluindo a mim mesmo, já que meu aniversário foi no dia 1º deste mês.



Estou animado e, ao mesmo tempo, um pouco ansioso pelo que aprenderei nas próximas aulas, pois ingressaremos em aspectos psicológicos daqui por diante.


Desde o colegial — quando tive aulas com uma professora cujo nome não recordo com certeza, mas acredito que fosse Leila — sou um apaixonado por Psicologia.


Hoje, esse interesse retorna com mais força. E não apenas como curiosidade.

Tenho considerado, com seriedade, fazer uma pós-graduação em Psicanálise.


 

Uma conclusão a que cheguei é que, nas três situações — seja na trilha que marcou simbolicamente uma iniciação, no avanço para a segunda Câmara da Gnose ou no encerramento desta etapa do curso — existe um mesmo fio condutor.


Todas representam convites à consciência e à responsabilidade sobre mim mesmo.


Não se tratam de eventos isolados, mas de marcos que apontam para um mesmo movimento de amadurecimento, no qual sou constantemente chamado a alinhar pensamento, emoção e ação.


Assim, mais do que buscar respostas externas ou esperar por momentos ideais, compreendo que o verdadeiro progresso está na forma como escolho viver o cotidiano — com mais presença, disciplina e sentido.


Transformando cada desafio em matéria-prima para a construção de quem estou me tornando.



Outro ponto que desperta a minha atenção — e que também me traz orgulho — é o fato de que, desta vez, diferentemente da iniciação anterior, meu filho tem me acompanhado.


O Nico esteve presente no sábado, na festa da Nova Acrópole, e também no domingo, durante a última conferência da primeira Câmara.


E isso é significativo.


Estou aprendendo a ser pai do meu filho — fazendo um esforço consciente para que ele tenha bons exemplos.

E, ao mesmo tempo, estou aprendendo a ser pai de mim mesmo.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O caminho não está em acumular respostas, mas em aprofundar a existência.

O pequeno intervalo onde algo deixa de reagir — e começa a estar.

Metanoia: Da Culpa à Participação na Verdade