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Mostrando postagens de março, 2026

Quando Pensar Demais Me Afasta de Mim.

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Estamos caminhando para o final da Quaresma e, possivelmente por influência desse período — que convida ao recolhimento, à reflexão e à renúncia — tenho sentido mais dificuldade em realizar algumas tarefas necessárias e simples. Coisas que, em teoria, deveriam apenas ser feitas, sem tanto peso ou resistência. Por exemplo: organizar uma rotina semanal, dedicar mais tempo ao envio de currículos, estudar cursos voltados ao uso de inteligência artificial no trabalho, Power BI, UX, inglês, entre outros; telefonar mais para meus familiares; estar mais presente para minha namorada, minha mãe, meu irmão e meu filho… a lista é longa — e, mais do que longa, ela é recorrente. São sempre as mesmas intenções que retornam, como se algo em mim as adiasse silenciosamente. Diante disso, começo a me questionar se o que venho fazendo tem sido suficiente e, principalmente, de onde vem o bloqueio emocional que, por vezes, me paralisa. O primeiro sentimento que me ocorre é o medo. Um medo difuso, difíci...

Baal, Zeus, Júpiter e o poder dos arquétipos ao longo da história.

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Nos últimos dias, me deparei com um vídeo do Jordan Maxwell que propõe uma leitura bastante provocativa sobre as origens do judaísmo e suas possíveis conexões com tradições mais antigas da Mesopotâmia . A tese central gira em torno da ideia de que sistemas religiosos que hoje enxergamos como independentes podem, na verdade, ter sido moldados por um longo processo de intercâmbio cultural — especialmente em regiões onde impérios, povos e crenças se sobrepunham constantemente. No caso do judaísmo, há sim debates acadêmicos sobre influências do zoroastrismo — sobretudo durante o período do exílio na Pérsia — principalmente em conceitos como dualismo moral, anjos e escatologia. No entanto, o vídeo vai além e propõe conexões mais ousadas, incluindo relações linguísticas e simbólicas que, à primeira vista, parecem reveladoras, mas que exigem um olhar crítico mais apurado. Um desses pontos é a tentativa de conectar etimologicamente o termo “judeu” a uma raiz fenícia ligada à ideia de “pai”,...

O Lugar do Orgasmo no Caminho Espiritual.

Hoje acordei às 5h da manhã, mas, às 4h30, já estava me revirando na cama, perguntando-me por que estava sem sono naquele horário, já que fui dormir à meia-noite, depois de ler a última página de O Clube do Livro dos Homens . O fato é que minha mãe costuma levantar todos os dias por volta desse horário e, por causa do barulho e do movimento natural que ela faz em casa, talvez eu esteja me condicionando a acordar nesse mesmo período — o que não é de todo mau e pode, inclusive, tornar-se um bom hábito. Isso despertou em mim mais um insight, somando-se à série de reflexões que venho tendo nos últimos dias. Muito disso se deve às aulas de filosofia e à proposta de aprendermos a nos autogovernar a partir de um conhecimento profundo de nós mesmos, além de nos relacionarmos com a sociedade com base nessa compreensão. Como mencionei, minha mãe sempre acorda cedo — pelo menos desde que eu nasci — e vai ao trabalho, mantendo uma rotina organizada e exemplar. Tenho sentido falta de organiza...

Os três traidores, as três gunas e a magia de transmutação das energias sexuais.

Continuo na minha jornada em busca de autoconhecimento, desenvolvimento espiritual e amadurecimento. Às vezes, isso pode parecer uma ideia obsessiva — uma busca intensa por algo que, em certos momentos, parece me afastar das minhas obrigações sociais, como procurar um trabalho, estar presente para o meu filho e contribuir financeiramente com a casa em que moro. Ainda assim, tenho me esforçado para me recolocar profissionalmente, manter-me presente como pai e colaborar com a manutenção da casa. Tenho me cobrado bastante, pois desejo me tornar uma pessoa melhor e contribuir de forma mais significativa. Sinto que tudo o que venho vivendo pode representar uma espécie de chamado. Dentro dessa perspectiva, o ato de escrever pode ser uma vocação. Escrever tem me ajudado a organizar meus pensamentos, desenvolver ideias que antes pareciam desconexas e avançar no meu processo de aprendizado. Mais recentemente, em minha caminhada, deparei-me com um ponto crucial da Gnose que tem sido mais difícil...

O desafio de estar presente na vida do meu filho.

Hoje, mais uma vez, me desentendi com a Fernanda. O motivo foi o fato de eu não ter sido informado sobre uma apresentação do Nico no sábado e, por isso, não ter comparecido ao evento. Num primeiro momento, a Fernanda comentou que havia me enviado a programação anual da escolinha. Procurei nos arquivos do meu celular, no e-mail e também no histórico das nossas conversas no WhatsApp, mas não consegui localizar esse material. Diante disso, decidi entrar em contato diretamente com a escola. Conversei com a coordenação pedagógica e solicitei que meus dados fossem incluídos como contato do meu filho, para que eu pudesse acompanhar mais de perto a vida escolar dele. Como pai, sinto não apenas o dever, mas também o desejo genuíno de estar presente em tudo o que envolve o Nicolas. O processo não foi tão simples, já que a escola não centraliza o atendimento em um único canal. Ainda assim, consegui incluir meu e-mail e obter acesso à agenda escolar por meio de um aplicativo chamado Class App. Apr...

O caminho não está em acumular respostas, mas em aprofundar a existência.

 “Quando um discípulo está pronto, o Mestre surge.” Esta é uma máxima budista que se conecta à lei da semeadura. Quando verdadeiramente buscamos algo, o conhecimento nos alcança, pois é assim que nossa própria natureza mais profunda permite que isso aconteça. Isso se confirmou novamente por meio de uma conversa que tive com o Rodrigo e pelo vídeo “O Despertar da Consciência e a Centelha Divina Dentro de Você” , do canal Rota de Evolução, que traz uma entrevista com a professora Lúcia Helena Galvão , integrante da escola de filosofia Nova Acrópole. https://www.youtube.com/watch?v=cRlvbtyl20M Se antes eu me perguntava quem somos nós, agora percebo que talvez exista uma pergunta ainda mais silenciosa — e, de certa forma, mais desafiadora:  o que, em nós, é crença… e o que é evidência? Essa reflexão ganhou um novo contorno a partir da entrevista com a professora Lúcia Helena, que, ao dialogar com ideias de Carl Gustav Jung , desloca completamente o eixo da discussão sobre Deus...

Realidade e planos espirituais.

Se antes a pergunta “quem somos nós?” me conduziu a um ponto de ruptura — uma espécie de fissura naquilo que eu tomava como realidade —, agora percebo que essa mesma pergunta começa a se desdobrar em outra ainda mais desconcertante: em que nível da realidade estamos tentando responder isso? Essa inquietação ganhou força em uma conversa recente com um amigo. Em meio a reflexões aparentemente simples, surgiu uma hipótese que, desde então, não me abandona: e se tudo aquilo que chamamos de espiritual — anjos, demônios, planos sutis — não passar de uma linguagem simbólica? Uma espécie de interface criada pela mente (ou talvez pela própria consciência) para tornar compreensível aquilo que ainda não conseguimos acessar diretamente? Por um instante, isso me trouxe certo alívio. Como se, ao reduzir essas ideias a metáforas, eu pudesse manter os pés firmes em um terreno mais racional, mais controlável. Mas essa sensação não durou muito. Porque, quase imediatamente, outra possibilidade emergiu — ...

Quem é aquele que está fazendo essa pergunta?

Quem somos nós? E como podemos saber isso? Ao continuar refletindo sobre tudo isso que comentei na minha última publicação, percebi que aquela conversa com o Alexandre havia deixado uma espécie de eco dentro de mim. Não era exatamente uma resposta, mas uma mudança sutil na direção da pergunta. Até então, minha investigação parecia seguir um caminho relativamente familiar: tentar compreender quem somos por meio de ideias, teorias, sistemas filosóficos ou tradições espirituais. Era como se eu estivesse reunindo diferentes mapas na tentativa de entender melhor o território da consciência. Mas, pouco a pouco, comecei a perceber algo curioso. Talvez o ponto central da investigação não estivesse apenas nas respostas que eu encontrava, mas na própria experiência de fazer a pergunta. Em outras palavras: quem é, afinal, aquele que pergunta? Essa mudança de perspectiva pode parecer pequena à primeira vista, mas, quando comecei a observá-la com mais atenção, percebi que ela alterava completa...

Quem somos nós? E como podemos saber isso?

Quem somos nós? E como podemos saber isso? Essas duas perguntas têm me inquietado profundamente desde que passei por uma espécie de metanoia ao completar quarenta anos. Foi um processo intenso, pois comecei a questionar muitas das certezas que antes considerava sólidas. Em determinado momento, percebi que algumas delas já não se sustentavam diante da experiência e da reflexão. A partir daí, abriu-se em mim um movimento de investigação: se certas convicções deixaram de fazer sentido, então talvez eu ainda não compreenda plenamente quem sou. Desde então, tenho buscado essas respostas na filosofia e na gnose, onde encontro indícios de um caminho que me motiva a seguir adiante — um caminho que me educa e me transforma em um ser humano mais lúcido e melhor. Ainda assim, essas respostas não me parecem totalmente robustas ou definitivas; antes, funcionam como sinais ao longo da jornada, apontando para uma compreensão que talvez só se revele gradualmente. Nesta última semana, assisti a um víde...

Um dos maiores desafios de viver em sociedade.

Um dos maiores desafios de viver em sociedade é o fato de muitas vezes não sabermos quem realmente somos. Imaginamos conhecer nossa própria natureza, mas, na maioria das vezes, estamos tão condicionados por crenças equivocadas que acabamos nos identificando com ideias pré-concebidas, com aquilo que outras pessoas projetam sobre nós ou ainda com desejos diversos. Esse estado de confusão acerca de si mesmo foi associado por Platão a uma forma de desordem da alma, que poderia ser entendida como uma espécie de loucura. Não é por acaso, portanto, que muitos de nós acordamos diariamente, tomamos café da manhã, tomamos um banho, escovamos os dentes, vamos ao trabalho, nos alimentamos novamente, escovamos os dentes outra vez e continuamos trabalhando. Ao final do dia, voltamos para casa, assistimos a um pouco de Netflix, tomamos outro banho, jantamos, escovamos os dentes novamente e dormimos, apenas para recomeçar essa mesma rotina no dia seguinte — ao menos durante os dias úteis. Quando che...