Parte VI: O Conclave das Potencialidades.
Henry ainda mantinha o copo de negroni suspenso entre os dedos quando o homem finalmente se aproximou. Não pediu licença, tampouco lhe ofereceu a mão. Limitou-se a deter-se diante da mesa, retirar lentamente as luvas encharcadas pela chuva e acomodar-se na cadeira vazia com a naturalidade de alguém acostumado a entrar em lugares onde talvez não devesse estar — ou, ao menos, de alguém que há muito deixara de se preocupar com esse tipo de distinção. Havia nele uma contenção difícil de ignorar. Não apenas na postura demasiadamente correta, nem apenas na precisão excessiva dos movimentos, mas em algo mais profundo e menos facilmente nomeável: uma disciplina quase feroz, cada gesto era cuidadosamente treinado para impedir que alguma parte interior transbordasse. Henry observou-o em silêncio. O homem parecia ter pouco mais de cinquenta anos, embora a exaustão lhe acrescentasse ao rosto uma década inteira. Era negro, magro, não com a leveza natural dos corpos disciplinados, mas com ...