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Ruído, voz e direção.

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Hoje acordei relembrando uma conversa que tive ontem com o André, meu professor de filosofia na Nova Acrópole. Eu havia chegado um pouco mais cedo à escola e estava refletindo, depois da sessão de terapia, sobre como o processo de escrita tem repercutido em mim — um processo que exige bastante esforço do ponto de vista mental, mas que também me ajuda na elaboração das ideias, funcionando como uma espécie de “higiene” interna e, mais do que isso, como a realização de um sonho que tenho desde menino. O ato de escrever, para mim, significa justamente tirar um sonho do papel. Como aspirante a filósofo, tenho em mim um desejo sincero de integrar minha vida a um ideal. Desejo que meus sonhos, pensamentos, ideias, discursos e ações estejam integrados e em uníssono, e que haja congruência entre eles. Assim, escrever para o meu blog (ou diário) — que ainda permanece oculto à maioria das pessoas, já que está em fase de maturação no meu “caldeirão”, onde as ideias fervilham como uma espécie d...

Organizar a atenção, escolher o que importa.

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Ontem a Thays veio aqui em casa para me ver, e assistimos juntos às três primeiras aulas do curso “ 4 Degraus para uma Vida Organizada ”, oferecido pela professora Lúcia Helena Galvão como continuidade dos estudos iniciados no minicurso “ Os Inimigos da Vida Organizada ”, sobre o qual já havia comentado anteriormente. O que se seguiu a essa experiência não foi apenas o registro do conteúdo assistido, mas o surgimento de uma série de conexões internas que me levaram a relacionar esses ensinamentos com outras leituras e correntes filosóficas e espirituais. Pretendo desenvolver essas conexões em textos posteriores, como forma de organizar certas percepções, aprofundar questões ainda abertas e tornar mais conscientes alguns padrões de comportamento que, por vezes, se repetem de maneira automática em nossas vidas. A partir dessa disposição inicial de relacionar o conteúdo com outras referências e experiências de pensamento, algumas ideias passaram a se organizar com mais nitidez, reveland...

Entre o impulso e a consciência: a liberdade começa a respirar.

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Um amigo me enviou um short da professora Lúcia Helena Galvão falando sobre Confúcio — e eu quase posso te ouvir sorrindo agora, dizendo “lá vai ele outra vez...”. Mas o curioso é que, naquele mesmo dia, eu estava justamente com uma aula aberta sobre a China antiga, sobre Confúcio, sobre esse mesmo solo de ideias que, sem combinar, acabou se encontrando dentro de mim. E isso me fez parar por um instante. Porque há encontros que não parecem coincidência — parecem espelhos. No vídeo, ela falava de algo simples e ao mesmo tempo profundo: Confúcio descrevia uma espécie de ascensão silenciosa do humano. Um caminho que vai do homem comum ao cavalheiro (junzi), até o sábio — esse ponto quase inalcançável, mais horizonte do que chegada. Mas o que me ficou não foi a hierarquia. Foi a pergunta implícita: quem você está se tornando quando não está escolhendo? Porque, se não há escolha consciente, há moldagem invisível. E aquilo que não escolhemos nos escolhe. E isso me atravessa de um...

Entre o Louva-Deus e a Abelha.

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Já é noite quando começo a escrever. Não exatamente por disciplina, mas por uma espécie de necessidade silenciosa de não deixar escapar aquilo que, se não for registrado agora, talvez se dilua na pressa do dia seguinte. Há algo nesses pequenos acontecimentos que pede atenção — não urgência, mas presença. E é a partir desse estado que tento organizar o que vivi nos últimos dias. Dois insetos entraram na minha casa em dias diferentes. E, de forma inesperada, organizaram algo em mim. O primeiro apareceu na semana passada: um louva-deus. Imóvel. Preciso. Quase como se estivesse em oração. Há nele uma qualidade rara hoje em dia: presença absoluta. O louva-deus não se move à toa. Ele observa, espera — e só então age. Naquele momento, não dei muito significado. Mas, olhando agora, percebo que ele surgiu exatamente quando eu estava imerso em excesso de pensamento e pouca ação. Ansiedade com o tempo. Sensação de estar sempre devendo algo a mim mesmo. Muitas ideias — pouca sustentaç...

Forjado no Invisível: o que me atravessa também me transforma.

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Começo a escrever este texto me sentindo triste, por conta de um pequeno desentendimento com a Thays, mas com a esperança de que, ao organizar meus pensamentos e sentimentos, eu possa finalizá-lo em um estado de espírito diferente — mais positivo. Essa é a minha vontade — e pretendo fazê-la prevalecer. Estou cansado dos “talvezes”: de tantas incertezas, inseguranças e dessa paralisia que, vez ou outra, me atravessa. As músicas que escolhi para acompanhar este processo de escrita são do Reiki — uma playlist do Spotify com sons que evocam calma e equilíbrio. Ainda assim, apesar dessa escolha e da serenidade que ela desperta, reconheço que possuo recursos internos suficientes para lidar com o que se passa em mim a qualquer momento, sem depender dela. Ou seja, essa playlist não é necessária — apenas conveniente. O silêncio já seria suficiente. Faço esse exercício de forma consciente — quase como quem se observa para não transformar o alívio em fuga.   Há mai...

“Inimigos Invisíveis da Vida Organizada” — a falta de confiança em si próprio.

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Por ora, isto se apresenta apenas como uma introdução — um ponto de partida, talvez, para algo que ainda não está completamente claro em mim. Retorno a esse movimento de escrita não apenas para registrar uma compreensão recente, mas como uma tentativa de manter alguma continuidade com aquilo que venho observando em mim nos últimos dias: meus ritmos, a forma como tenho lidado com o tempo, com a disciplina e com as responsabilidades que me atravessam. Hoje, assisti à última aula do minicurso “Inimigos Invisíveis da Vida Organizada” , ministrado pela professora Lúcia Helena Galvão. No entanto, em vez de simplesmente resumir o conteúdo ou trazer algumas anedotas, como vinha fazendo até aqui, sinto que há algo que pede outro tipo de elaboração — mais próximo daquilo que estou vivendo agora. A tentativa, portanto, não é exatamente concluir, mas relacionar. Ainda que eu reconheça não ter tido muito sucesso em chegar a conclusões realmente eficazes — ou, ao menos, que se sustentem no meu dia a...