O desafio de estar presente na vida do meu filho.

Hoje, mais uma vez, me desentendi com a Fernanda. O motivo foi o fato de eu não ter sido informado sobre uma apresentação do Nico no sábado e, por isso, não ter comparecido ao evento.

Num primeiro momento, a Fernanda comentou que havia me enviado a programação anual da escolinha. Procurei nos arquivos do meu celular, no e-mail e também no histórico das nossas conversas no WhatsApp, mas não consegui localizar esse material.

Diante disso, decidi entrar em contato diretamente com a escola. Conversei com a coordenação pedagógica e solicitei que meus dados fossem incluídos como contato do meu filho, para que eu pudesse acompanhar mais de perto a vida escolar dele. Como pai, sinto não apenas o dever, mas também o desejo genuíno de estar presente em tudo o que envolve o Nicolas.

O processo não foi tão simples, já que a escola não centraliza o atendimento em um único canal. Ainda assim, consegui incluir meu e-mail e obter acesso à agenda escolar por meio de um aplicativo chamado Class App.

Aproveitei também a oportunidade para conversar com a professora Jéssica sobre alguns momentos em que meu filho tem chorado sozinho em casa. Pedi o apoio dela para tentar compreender melhor o que pode estar acontecendo. A receptividade foi positiva, e ela se mostrou aberta a colaborar, destacando que a soma de esforços tende a ser benéfica para o desenvolvimento dele.

Já faz um ano desde que eu e a Fernanda nos separamos. E, se esse processo já não é simples para adultos, imagino o quanto pode ser desafiador para uma criança de apenas 4 anos, que, nesse período, já passou por mudanças importantes, como trocas de casa e de escola.

Na conversa com a escola, fui informado de que, no momento da matrícula, evitaram fazer perguntas mais sensíveis sobre a estrutura familiar, justamente porque o Nico estava presente, e a intenção era não gerar qualquer tipo de constrangimento. A equipe foi cuidadosa, pediu desculpas pela situação e se colocou à disposição para melhorar a comunicação dali em diante.

Pouco tempo depois, recebi, por meio da Fernanda, a informação de que a escola havia solicitado a assinatura de um termo de anuência referente à matrícula do Nico para o ano letivo de 2026. Confesso que isso me causou certa surpresa, especialmente pelo momento em que o documento foi apresentado, já com o ano em andamento.

Ao buscar entender o motivo, fui informado de que a solicitação fazia parte de um procedimento voltado a pais separados, possivelmente em função do meu pedido de acesso às informações escolares.

Essa sequência de acontecimentos acabou gerando mais um atrito entre nós. Em meio à conversa, vieram à tona outras questões — algumas práticas, outras emocionais — que, como costuma acontecer, acabaram se misturando.

Situações como essa me fazem refletir sobre o quanto a comunicação entre pais separados ainda é um desafio constante. Muitas vezes, não se trata apenas do que é dito, mas de como é dito, do momento em que acontece e das interpretações que surgem a partir disso.

No fim, o que permanece mais importante — e o que procuro sempre resgatar — é o bem-estar do Nico. Estar presente, acompanhar seu desenvolvimento e participar da sua rotina não é apenas um direito, mas uma responsabilidade que levo muito a sério.

Talvez o maior aprendizado aqui seja que, mesmo diante de divergências, é essencial buscar caminhos mais conscientes de diálogo. Porque, no centro de tudo isso, existe uma criança que precisa — e merece — de adultos capazes de cooperar, ainda que imperfeitamente.

E é nesse ponto que sigo tentando evoluir: menos focado em ter razão, e mais comprometido em estar presente da melhor forma possível.

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