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Mostrando postagens de maio, 2026

Parte VI: O Conclave das Potencialidades.

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Henry ainda mantinha o copo de negroni suspenso entre os dedos quando o homem finalmente se aproximou. Não pediu licença, tampouco lhe ofereceu a mão. Limitou-se a deter-se diante da mesa, retirar lentamente as luvas encharcadas pela chuva e acomodar-se na cadeira vazia com a naturalidade de alguém acostumado a entrar em lugares onde talvez não devesse estar — ou, ao menos, de alguém que há muito deixara de se preocupar com esse tipo de distinção. Havia nele uma contenção difícil de ignorar. Não apenas na postura demasiadamente correta, nem apenas na precisão excessiva dos movimentos, mas em algo mais profundo e menos facilmente nomeável: uma disciplina quase feroz, cada gesto era cuidadosamente treinado para impedir que alguma parte interior transbordasse. Henry observou-o em silêncio. O homem parecia ter pouco mais de cinquenta anos, embora a exaustão lhe acrescentasse ao rosto uma década inteira. Era negro, magro, não com a leveza natural dos corpos disciplinados, mas com ...

Parte IV: O Dia em que a Luz se Partiu.

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Pouco depois das quinze horas, alguém bateu à porta do apartamento. Henry despertou antes mesmo de compreender por quê, arrancado do sono por aquela sucessão de impactos secos contra a superfície inteligente da entrada — três batidas apenas, mas suficientemente urgentes para atravessar o amortecimento acústico do ambiente e dissolver, num instante, a frágil paz química que o descanso havia lhe concedido. Durante alguns segundos permaneceu imóvel, ainda preso àquela zona indistinta entre sonho e consciência em que o mundo demora a reassumir sua forma definitiva. O quarto permanecia mergulhado em penumbra; as paredes translúcidas mantinham ativado o filtro opaco contra a claridade exterior, e os sistemas domésticos ainda respiravam no modo silencioso que Nathalie costumava preferir. Por um breve instante, tudo estava intacto. A cama ampla. O cheiro residual do perfume dela preso ao tecido do travesseiro. A pequena mochila holográfica de Sophia esquecida junto à poltrona na noite anterior...

Mnemosyne: Ecos Além do Véu. Parte III – O Eco das Coisas Perdidas.

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Parte III: O Eco das Coisas Perdidas. Dois anos haviam se passado desde o acidente no laboratório, mas Henry aprendera depressa que o tempo raramente cumpria aquilo que prometia. As pessoas falavam dele como se fosse uma força curativa, como se bastasse sobreviver aos dias para que a dor, por simples desgaste, acabasse por perder a própria intensidade. Como se a ausência pudesse ser uma matéria vulnerável à erosão das horas. Como se continuar a respirar fosse, de algum modo, o primeiro passo para deixar verdadeiramente algo para trás. Henry já não acreditava nisso. Algumas perdas não diminuíam; apenas mudavam de forma. No início, a dor se apresentara como uma violência aberta, um rasgo interno tão absoluto que lhe parecera impossível continuar existindo dentro dele. Durante semanas — ou meses, pois sua percepção daquele período permanecia indistinta, como se o próprio tempo houvesse se recusado a organizar-se em sequência — tudo o que existira fora aquilo: a ausência tornada presença, ...

Mnemosyne: Ecos Além do Véu.

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  Capítulo I. A Cidade do Tempo Suspenso. Parte I: A subida. Henry sempre achara curioso o fato de ninguém saber ao certo qual havia sido o nome original da cidade. A curiosidade não nascia de qualquer inclinação nostálgica, tampouco de um interesse histórico particularmente disciplinado. Era algo mais íntimo do que isso. Uma inquietação difícil de nomear, ligada à suspeita persistente de que certas coisas jamais desaparecem de fato, mesmo quando deixam de ser pronunciadas. Quando era mais jovem, costumava imaginar que o verdadeiro nome de Aionis ainda permanecia em algum lugar, soterrado sob as inúmeras camadas de concreto, metal, poeira industrial e infraestrutura acumuladas ao longo dos séculos. Gostava da ideia de que a cidade escondesse, em alguma de suas profundezas esquecidas, uma identidade anterior a tudo aquilo que havia se tornado; uma memória intacta, aguardando apenas alguém disposto a escavá-la. Mais tarde, quando ingressou na Mnemosyne Systems, ouviu uma teoria difer...