Dez anos depois: como eu mudei desde o meu antigo blog.
Olá, leitores e leitoras do “Alto e com Coragem”. Hoje eu quero compartilhar com vocês um texto que eu escrevi há quase 13 anos, em dezembro de 2010, no meu antigo blog, o “Meo Ego”. Esse texto foi um desabafo sobre os meus sentimentos e questionamentos após uma experiência na igreja, onde eu fui ouvir a minha avó cantar com o seu coral. Eu me lembro que naquela época eu estava passando por uma fase difícil, cheia de dúvidas, culpas e medos. Eu estava buscando um sentido para a minha vida, uma conexão com algo maior do que eu. Eu estava tentando me expressar através da escrita e da fala, mas sem saber se isso era suficiente ou necessário.
Eu resolvi publicar esse texto
novamente por dois motivos. O primeiro é que eu acho que ele ainda tem valor,
ainda tem algo a dizer, ainda pode tocar alguém que esteja passando por
situações parecidas. O segundo é que eu quero mostrar como eu mudei desde então,
como eu evoluí na minha jornada de autoconhecimento e crescimento pessoal. Eu
quero compartilhar com vocês as lições que eu aprendi, as respostas que eu
encontrei, as mudanças que eu fiz.
Eu não vou alterar nada do texto
original, apenas vou acrescentar alguns comentários em itálico para explicar
melhor o que eu quis dizer ou o que eu penso hoje sobre o que eu disse. Espero
que vocês gostem dessa viagem no tempo e que possam se inspirar com as minhas
reflexões. Vamos lá!
Ontem fui à igreja ouvir a minha
avó cantar com o seu coral, Cruz de Malta. Velhinhos com camisas brancas e
acessórios vermelhos - as senhoras com lencinhos e os senhores com
gravatas-borboleta. Todos eles regidos por uma maestrina descendente da Rússia.
Fiquei emocionado ao ver a minha
avó cantando com tanta alegria e fé. Ela sempre foi uma inspiração para mim,
uma pessoa que me ensinou muito sobre a vida e o amor. Senti uma vontade de me
aproximar mais dela, de ouvir as suas histórias e os seus conselhos.
Hoje eu posso dizer que essa
vontade se concretizou. Eu passei a visitar mais a minha avó, a conversar mais
com ela, a aprender mais com ela, até o momento em que ela fez a sua passagem.
Ela se tornou uma das minhas melhores amigas, uma pessoa que eu admiro e
respeito profundamente. Ela me mostrou como é possível ter fé sem ser fanático,
como é possível amar sem ser possessivo, como é possível viver sem ser egoísta.
A dona Rosa foi e sempre será uma das minhas melhores referências.
É curioso perceber como essa
época natalina me envolve e mexe com o meu sentimento. Fico mais detalhista,
mais emotivo, mais generoso. Começo a entregar o que há de melhor em meu seio
para o próximo. Ou assim desejo.
Hoje eu posso dizer que essa
época natalina não é mais tão especial para mim. Não porque eu deixei de gostar
dela, mas porque eu aprendi a viver todos os dias como se fossem natal. Eu
aprendi a ser mais atento aos detalhes, mais sensível às emoções, mais
solidário com os outros. Eu aprendi a dar o meu melhor para o mundo, sem
esperar nada em troca.
Quando dei por mim, estava
ajoelhado em um ato de humildade, orando e chorando, tentando dar fim aos meus
pecados. E descartar a culpa que venho sentindo ultimamente.
Hoje eu posso dizer que esse
foi um momento de libertação para mim. Eu consegui me livrar de muitas culpas
que me atormentavam, de muitos pecados que me afastavam de Deus. Eu consegui me
perdoar e pedir perdão aos outros. Eu consegui me reconciliar com a minha fé e
com a minha essência. Recentemente, tive um bate-papo muito bacana também com o
padre Beto do Santunário Nossa Senhora de Fátima, sobre qual ainda vou escrever
por aqui.
Dizem que as lágrimas curam. Que
às vezes nos faltam palavras para descrever ou tentar explicar, racionalizando
o que acontece. Às vezes, algo toca, comove e foge à nossa compreensão. As
lágrimas podem ser uma fonte de escape, um canal que nos guia ao nosso
verdadeiro eu. E percebo que ontem elas me levaram a algo inexplicável. Saí de
lá mais aliviado.
Hoje eu posso dizer que as
lágrimas realmente curam. Eu não tenho vergonha de chorar, de expressar os meus
sentimentos, de me emocionar. Sei que isso é humano, é natural, é saudável. Sei
que isso me ajuda a me conhecer melhor, a me conectar com o meu interior, a me
abrir para o mistério da vida.
Ao mesmo tempo, também saí com
uma baita dor-de-cabeça. Precisei tomar água e um Dorflex para dormir. Antes
mesmo de ir para cama, deitei no sofá e por lá fiquei.
Hoje eu posso dizer que essa
dor-de-cabeça foi um sinal de que eu precisava cuidar mais de mim mesmo, do meu
corpo, da minha saúde. Eu percebi que eu estava me desgastando muito, me
estressando muito, me cobrando muito. Eu percebi que eu precisava relaxar mais,
descansar mais, me divertir mais.
Ouço testemunhos. Procuro alguma
coisa. Alguma coisa que não sei bem o que é. Tenho dúvidas…
Hoje eu posso dizer que essa
busca não acabou, mas se transformou. Continuo ouvindo testemunhos, mas não
para encontrar respostas prontas, mas para aprender com as experiências
alheias. Eu continuo procurando alguma coisa, mas não algo externo a mim, mas
algo dentro de mim. E continuo tendo dúvidas, mas não dúvidas que me paralisam,
mas dúvidas que me estimulam.
Tento dizer algo mais. Tento,
tento e tento entender. E tudo isso para quê?
Por que essa necessidade tamanha
de escrever? Falar por falar? Expressar todas essas dúvidas? Flutuar perdido em
busca de uma intuição que dê sentido a tudo isso que venho sentindo? Por quê
não me deixar levar apenas?
Vale a pena ponderar todas essas questões.
Está na hora de olhar um pouco
para tudo isso ao invés de ficar pensando, pensando e pensando e usando esse
comportamento como um mecanismo de autodefesa.
Então vamos lá!
1 - Por que essa necessidade
tamanha de escrever? Resposta: Porque através desse meio, consigo materializar
os meus pensamentos, tornando tangível algo que está fora do meu alcance. E
refletir de forma mais clara sobre o que me assola.
Posso dizer que essa
necessidade continua sendo uma das minhas maiores paixões. Eu amo escrever, eu
amo criar, eu amo me comunicar. Vejo a escrita como uma forma de arte, de
expressão, de transformação. Eu vejo a escrita como uma forma de viver.
2 - Falar por falar? Resposta:
Certa vez ouvi que sempre que se diz alguma coisa, não se fala apenas por
falar. Sempre se fala para alguém que nos escuta – às vezes essa pessoa pode
ser a gente mesmo! O objetivo de falar é minimizar as preocupações. Dessa
maneira, mudar as ideias que podem trazer perturbações.
Hoje eu posso dizer que essa
resposta ainda faz sentido para mim. Eu valorizo o diálogo, a conversa, a
troca. Eu acredito no poder da palavra, no poder da escuta, no poder da
empatia. Acredito no poder da fala.
3 - Expressar todas essas
dúvidas? Resposta: Porque elas fazem parte de quem eu sou, do meu processo de
aprendizado e crescimento. Não há nada de errado em ter dúvidas, desde que elas
não me paralisem ou me impeçam de agir conforme os meus valores.
Hoje eu posso dizer que essa
resposta ainda é válida para mim. Aceito as minhas dúvidas como parte da minha
natureza humana, como parte da minha busca pelo conhecimento e pela sabedoria.
Eu não tenho medo das minhas dúvidas, eu as uso como combustível para a minha
curiosidade e para a minha aventura.
4 - Flutuar perdido em busca de
uma intuição que dê sentido a tudo isso que venho sentindo? Resposta: Porque eu
sei que existe algo maior do que eu, algo que me transcende e me conecta com o
universo. Eu sinto que há um propósito para a minha vida, e que eu posso
encontrá-lo se eu me abrir para a minha intuição.
Hoje eu posso dizer que essa
busca não é mais uma fuga, mas uma aventura. Eu não me sinto mais perdido, mas
explorador. Não procuro mais uma resposta definitiva, mas uma orientação sutil.
Eu aprendi a ouvir a minha intuição, a seguir o meu coração, a confiar na minha
alma. Eu aprendi a me sintonizar com a frequência do amor, da paz, da harmonia.
5 - Por quê não me deixar levar
apenas? Resposta: Porque eu tenho medo do desconhecido, do que pode acontecer
se eu me entregar ao fluxo da vida. Mas eu também sei que esse medo é natural,
e que eu posso superá-lo se eu confiar em mim mesmo e na minha fé.
Hoje eu posso dizer que esse
medo não me domina mais, mas me desafia. Não o vejo mais como um obstáculo, mas
como uma oportunidade. Eu não o nego mais, mas o aceito. Aprendi a enfrentar o
desconhecido, a aceitar o que acontece, a me adaptar ao fluxo da vida. Eu
aprendi a confiar em mim mesmo e na minha fé.
Escrever e falar são formas de me
expressar, de me conhecer, de me curar. Não são atos vazios ou sem sentido. São
atos de coragem e de amor. Amor por mim mesmo, pelos outros, por Deus.
Escrever e falar são formas de
viver. E eu quero viver plenamente.
Hoje eu posso dizer que esse é
o meu lema, o meu mantra, o meu propósito. Eu quero viver plenamente,
expressando, conhecendo e curando a mim mesmo e aos outros. Quero viver
plenamente, escrevendo e falando sobre tudo o que me toca, me comove e me
inspira. E quero viver plenamente, amando a mim mesmo, aos outros e a Deus.
Esse foi o texto que eu escrevi
há 13 anos atrás, no meu antigo blog, o “Meo Ego”. Eu espero que vocês tenham
gostado de ler e de conhecer um pouco mais sobre mim e sobre a minha história.
Eu também espero que vocês tenham percebido como eu mudei desde então, como eu
cresci e evoluí como pessoa.
Eu resolvi publicar esse texto
novamente porque eu acho que ele pode servir de inspiração para outras pessoas
que estejam passando por momentos difíceis ou que estejam buscando um sentido
para as suas vidas. Eu também acho que ele pode servir de reflexão para mim
mesmo, para eu não esquecer de onde eu vim e para onde eu quero ir.
Agradeço a todos vocês que
acompanham o meu novo blog, que comentam os meus textos, que compartilham as
suas opiniões e experiências. Vocês são parte da minha jornada, parte do meu
crescimento, parte do meu viver.
Um abraço!
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