Entre o Ego e a Responsabilidade: Por que Devo Me Importar Comigo?
Sérgio, por que você deveria se importar com os seus próprios interesses?
Essa pergunta parece humilde,
quase altruísta, mas talvez esconda um risco: o de se anular sob o pretexto de
buscar algo maior. Você tem refletido sobre Verdade, Deus, moral, alinhamento
com uma ordem superior — e isso é legítimo. Mas, se você participa dessa ordem,
então você não é um acidente descartável dentro dela.
Se Deus é o fundamento do ser, e
você existe n’Ele e por Ele, então a sua existência não é irrelevante. Seus
interesses não são meros ruídos; são expressões da sua individualidade
concreta. Ignorá-los completamente seria negar o próprio lugar que você ocupa
na realidade.
Importar-se consigo não é
idolatrar-se. É reconhecer responsabilidade.
Você não é o centro do universo —
mas também não é um figurante sem importância. Há talentos que são seus. Há
limites que são seus. Há necessidades que são suas. Se você negligencia isso,
não se torna mais virtuoso; pode apenas se tornar frustrado, ressentido ou
desconectado.
A questão não é “devo priorizar
meus interesses acima de tudo?”, mas “meus interesses estão alinhados com
aquilo que reconheço como Verdade?”.
Se estiverem desalinhados,
precisam ser educados.
Se estiverem alinhados, precisam ser assumidos.
Talvez o erro esteja em opor
interesse pessoal e bem maior. Se você realmente participa de uma ordem mais
ampla, então cuidar de si — desenvolver seus dons, proteger sua energia,
organizar sua vida — é também colaborar com essa ordem.
Você não serve melhor ao mundo se
estiver desorganizado internamente.
Você não contribui mais anulando-se.
Você não se torna mais moral ignorando suas próprias necessidades legítimas.
Importar-se com seus interesses é
reconhecer que você é responsável pela vida que recebeu. E responsabilidade não
é egoísmo; é maturidade.
Portanto, Sérgio, talvez você
deva se importar com seus interesses não porque eles sejam absolutos, mas
porque você é real — e o que é real exige cuidado, discernimento e direção.
O desafio não é deixar de ter
interesses.
É purificá-los.
E seguir adiante com coragem.
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