06/05 — Estou Cansado. Isto Aqui Não É Um Adeus.
Estou cansado. Cansado pra caralho.
Cansado de bater em porta, de mandar mensagem, de me mostrar, de tentar ser visto… e só ouvir “não”. Sempre “não”.
E o pior é ter que continuar fingindo que está tudo bem, que faz parte, que é só mais uma fase.
Não está tudo bem.
Tenho vergonha de admitir, mas me sustentar está sendo muito mais difícil do que eu achei que seria. Muito mais.
E não adianta vir com discurso bonito — não é sobre vitimismo, não é sobre atenção, não é sobre esperar milagre.
É só cansaço mesmo.
Eu olho pros outros e parece que a vida anda. Pra mim, trava.
E aí vem aquela pergunta que ninguém gosta de fazer em voz alta: o que tem de errado comigo?
Porque não é possível.
Eu me esforço. Eu me importo. Eu tento ser correto, gentil, presente, responsável… e mesmo assim, nada encaixa. Nada vem. Ninguém aposta.
O que mais eu tenho que fazer?
E aí vem a terapia dizendo pra transformar dor em combustível.
Bonito. Faz sentido. Mas na prática… eu tô é esgotado.
Chegou num ponto em que nem a vontade eu sinto mais direito. Parece que está vazando, escorrendo, indo embora.
E eu pagando caro pra tentar me entender… e nem sei mais se está funcionando.
Talvez o que esteja faltando não seja mais esforço — seja coragem.
Coragem pra encarar de frente e dizer:
“Cris, suas consultas são caras demais e não tem me ajudado de verdade.”
Só de pensar em falar isso já dá um nó.
E isso soma com todo o resto.
Separação.
Perda de tudo que eu construí — apartamento, carro, rotina.
Meu filho indo embora, ficando longe de mim, com alguém que eu confiei e que depois mostrou que não merecia nada disso.
Voltar pra casa da minha mãe.
Ter que me reafirmar como adulto dentro de um lugar que me puxa pra trás o tempo inteiro.
Amizade falsa. Traição. Mais uma.
Dúvida sobre quem eu sou. Sobre o que eu quero. Sobre o que me atrai. Sobre o que eu sou, no fim das contas.
E o dinheiro indo embora. Sempre indo embora.
E eu parado.
E aí eu me perco.
Me joguei em excesso, em fuga, em tudo que anestesia — festa, bebida, droga, sexo…
Na hora parecia liberdade. Hoje parece só desespero mal disfarçado.
Eu olho pra aquilo e não me reconheço. Mas, ao mesmo tempo, sei que era eu tentando não afundar.
E nem as coisas que eu achei que iam me sustentar estão fazendo sentido.
Filosofia… sei lá.
Gnose então… parece que quanto mais eu entro, mais confuso eu fico. Um monte de conceito, de regra, de “caminho”… e eu aqui, perdido dentro de mim.
Arcano isso, transmutação aquilo, ego pra lá… sinceramente? Eu não tenho mais energia pra isso agora.
Eu só queria silêncio.
Só queria parar de ouvir o que eu “tenho que ser”, o que eu “tenho que fazer”, o que é “o caminho certo”.
Eu nem sei mais qual é a minha própria voz no meio disso tudo.
Gozar ou não? Controlar ou soltar? Ser puro ou ser humano?
Viver ou me podar?
Seguir um caminho espiritual ou largar tudo e respirar?
Eu não sei.
E hoje eu não quero saber.
Hoje eu só estou cansado.
Se isso é fuga, que seja.
Se é isolamento, foda-se.
Eu não tenho mais energia pra performar equilíbrio.
Meu corpo dói da academia — e, ironicamente, essa é a única dor que faz sentido. Porque pelo menos eu sei de onde ela vem.
O resto… é só um peso constante.
E sim — isso aqui poderia parecer uma carta de alguém que desistiu.
E se fosse, seria escrita pra quem?
Pra mim? Ou pra alguém que eu queria que finalmente me visse?
Porque, no fundo, cartas assim raramente são sobre quem vai embora.
São sobre quem fica.
Sobre o peso que se quer deixar.
Sobre a última tentativa de ser sentido — nem que seja através da culpa.
Mas isso aqui não é isso.
Não é um adeus.
Não é uma acusação disfarçada.
É só um homem cansado falando sozinho — alto o suficiente pra, talvez, finalmente se ouvir.
Porque, por mais que esteja tudo uma bagunça, por mais que eu esteja no limite… eu ainda não desisti.
Mesmo sem saber direito por quê.
Talvez seja meu filho.
Talvez seja orgulho.
Talvez seja só instinto.
Mas eu ainda estou aqui.
Eu vejo uma luz no fim do túnel: no dia 25 de junho estarei novamente empregado na MBRF, na campanha de kits natalinos deste ano. Um trabalho. Um recomeço mínimo.
Não resolve tudo. Nem de longe.
Mas é alguma coisa.
Eu só queria… um pouco de paz.
Um pouco de alívio.
Um pouco de colo, talvez.
Porque, sinceramente?
Está pesado demais.
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